Harrison Baer
A inspiração é algo difícil de alcançar. Se você tentar procurá-la, provavelmente não a encontrará. No entanto, a inspiração pura tende a surgir naturalmente, muitas vezes despertada pelas pessoas ou lugares certos. Neste momento, estou no epicentro da inspiração: o Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson. É um turbilhão de rostos estrangeiros se movendo em meio à multidão. Há poucos instantes, um senhor subiu correndo uma escada rolante, em direção à área de retirada de bagagens. Nunca vi um idoso se mover com tanta agilidade e urgência, e naquela demonstração peculiar e enigmática, me senti inspirado.
Enquanto isso, o TGI Friday's está bombando; ironicamente, numa quinta-feira. As mesas estão lotadas e a fila se estende até a entrada. A música do momento é SOS, do ABBA. Não, as letras maiúsculas não foram ideia minha. Tanto o nome da banda quanto o título estão em LETRAS MAIÚSCULAS – o que combina perfeitamente com a atmosfera do aeroporto. Os sentidos estão aguçados. As emoções estão à flor da pele. Tudo está tenso, intenso e em LETRAS MAIÚSCULAS.
Às 22h40, um Boeing 747, partindo do portão E34 em Atlanta, Geórgia, decolará rumo a Edimburgo. Quando as rodas do avião tocarem o solo, será minha primeira vez em solo escocês. Corre o boato de que sou descendente direto de William Wallace, então espero uma calorosa recepção.
Expressar minhas emoções atuais é um desafio. A descrição mais próxima é extremamente feliz. As expectativas são extremamente altas, e se os próximos quatro meses não forem transformadores, a decepção não tardará a chegar.
De volta ao Usain Bolt da geração Baby Boomer. Sua corrida desafiava o conceito de declínio na terceira idade. E embora eu estivesse impressionado e surpreso, estava mais curioso do que qualquer outra coisa. Por que diabos aquele senhor estava correndo para a saída do aeroporto? Posso entender uma corrida para o embarque, mas essa fuga frenética para a saída? Por quê? Para onde ele estava indo? O que alimentava sua urgência? Qual era a história dele?
Foi então que comecei a prestar mais atenção aos rostos ao meu redor, aos borrões que eu vinha ignorando desde minha chegada ao aeroporto.
De repente, me dei conta: cada pessoa ali tinha um destino, fosse ele familiar ou desconhecido. Cada uma carregava sua própria história sobre por que estava deixando os Estados Unidos e para onde estava indo. Meu professor de inglês do ensino médio ficaria orgulhoso – finalmente entendi a linguagem figurada. Um aeroporto é uma poderosa metáfora para a vida.
Os aeroportos são um símbolo dos nossos começos, meios e fins. Assim como os passageiros navegam pelos terminais e enfrentam os tumultuosos procedimentos da TSA (Administração de Segurança de Transporte dos EUA), todos nós vivenciamos uma jornada de desafios inesperados: atrasos, conexões perdidas, fracassos, deficiências e momentos de triunfo.
Turbulências e obstáculos são inevitáveis e, em última análise, temos pouco controle sobre o que está por vir.
A experiência de cada viajante é única – voos diferentes, destinos diferentes – mas todos nós enfrentamos desafios em nossas viagens: atrasos, escalas, jet lag. Essa experiência em comum é talvez o laço mais forte que une a humanidade.
Naquele momento de epifania, enquanto observava a multidão agitada, poucos exibiam sorrisos. Contudo, havia um brilho em seus olhos que contava uma história diferente — uma história de expectativa. Era uma expectativa contagiante que energiza e eletriza, preenchendo o ar com uma promessa silenciosa.
A inspiração não se encontra dentro de nós. Ela reside nas histórias que nos rodeiam, à espera de serem notadas.
