{"id":88611,"date":"2017-03-15T14:28:00","date_gmt":"2017-03-15T18:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ui-hybrid.local\/why-were-not-equal-a-lesson-in-global-fluency\/"},"modified":"2017-03-15T14:28:00","modified_gmt":"2017-03-15T18:28:00","slug":"why-were-not-equal-a-lesson-in-global-fluency","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/upstateinternational.org\/pt\/why-were-not-equal-a-lesson-in-global-fluency\/","title":{"rendered":"Por que n\u00e3o somos iguais - Uma li\u00e7\u00e3o de flu\u00eancia global"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-1607\" src=\"https:\/\/upstateinter.wpenginepowered.com\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/fullsizeoutput_1dd4-300x225.jpeg\" width=\"235\" height=\"176\" alt=\" _137_https:\/\/ui-old.mysites.io\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/fullsizeoutput_1dd4-300x225.jpeg\"><br \/>\nDepois de semanas viajando pela Europa, eu caminhava penosamente pelas ruas de Atenas sob uma chuva torrencial, tentando encontrar um \u00f4nibus que me conectasse a outro \u00f4nibus que, eventualmente, nos levaria, a mim e aos meus companheiros, a um museu em outra cidade. Era meio da manh\u00e3 do nosso primeiro dia na Gr\u00e9cia e, al\u00e9m de n\u00e3o estarmos preparadas para o clima, jamais imaginamos o qu\u00e3o complicado seria seguir o mapa de \u00f4nibus. Sim, estava em grego, mas geografia \u00e9 geografia, certo? Bem, talvez em alguns lugares, em algumas situa\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o ali. N\u00e3o na chuva, n\u00e3o com nossas sand\u00e1lias Chaco encharcadas e capas de chuva pingando, n\u00e3o com placas de rua escritas em um alfabeto que s\u00f3 conhec\u00edamos de clubes sociais universit\u00e1rios. N\u00e3o. Ali, nosso mapa encharcado s\u00f3 nos fazia desejar n\u00e3o ter que depender dele. Ent\u00e3o, recorremos ao plano B: perguntar a um morador local. Certamente tr\u00eas mulheres jovens, obviamente americanas, encharcadas at\u00e9 os ossos, seriam capazes de demonstrar alguma compaix\u00e3o e nos dar indica\u00e7\u00f5es simples para a rodovi\u00e1ria certa em uma manh\u00e3 de s\u00e1bado, certo? Errado. Tentamos parar os pedestres, sorrindo amigavelmente. Ningu\u00e9m se importou que estiv\u00e9ssemos perdidos, pois tinham compromissos. Ningu\u00e9m se importou que estiv\u00e9ssemos encharcados, pois eles tamb\u00e9m estavam. Ou ningu\u00e9m falava ingl\u00eas, ou estavam todos fingindo. Uma pessoa chegou a agir como se n\u00e3o soubesse o que era um mapa. Como se estiv\u00e9ssemos segurando algum objeto estrangeiro obscuro que a deixasse imediatamente desconfiada. Se ao menos soub\u00e9ssemos ler ou falar grego, tudo teria sido muito mais f\u00e1cil! Contudo, isso n\u00e3o nos permitiria entender por que n\u00e3o fomos recebidos com a t\u00edpica hospitalidade sulista americana. <i>N\u00d3S <\/i>Sem d\u00favida, teriam recebido bem um viajante cansado. \u00c9ramos americanos e esper\u00e1vamos ser tratados como ser\u00edamos nos Estados Unidos. O tempo todo pens\u00e1vamos... o que h\u00e1 de errado com as pessoas? Mas, na verdade, o que havia de errado conosco?<\/p>\n<p>Aprender um idioma abre muitas portas. Come\u00e7a a romper os la\u00e7os que nos dividem, como as linhas de um tabuleiro de xadrez. Mas, como aprendi nas ruas encharcadas da Gr\u00e9cia, e como muitos antes de mim aprenderam em todo o mundo, o idioma por si s\u00f3 n\u00e3o faz a diferen\u00e7a.<i> cultura<\/i>.Falo ingl\u00eas, mas, na verdade, sei muito pouco sobre a cultura inglesa ou a cultura australiana, e eles tamb\u00e9m falam ingl\u00eas. Vestem-se de forma diferente, comem coisas diferentes. No Canad\u00e1, as pessoas colocam manteiga nos sandu\u00edches, para voc\u00ea ter uma ideia! Eles N\u00c3O compartilham a minha cultura \u2013 nem o meu amor por maionese picante e mostarda em um sandu\u00edche de peru. H\u00e1 algo de errado com eles? (bem, ainda n\u00e3o h\u00e1 consenso sobre a quest\u00e3o da manteiga como condimento), mas, na verdade: N\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 nada de errado com eles. Assim como n\u00e3o havia nada de errado com o grego que fingia nunca ter visto um mapa.<\/p>\n<p>Se f\u00f4ssemos gregos, saber\u00edamos que acenar para as pessoas \u00e0 dist\u00e2ncia para chamar sua aten\u00e7\u00e3o \u00e9 extremamente ofensivo. Um gesto com a palma da m\u00e3o para fora, com os dedos estendidos, \u00e9 praticamente um insulto para um grego. Se f\u00f4ssemos gregos, tamb\u00e9m saber\u00edamos que a confian\u00e7a \u00e9 a base fundamental da comunica\u00e7\u00e3o e dos relacionamentos, e que ajudar completos estranhos n\u00e3o \u00e9 considerado s\u00e1bio ou gentil.<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 algo curioso. Verbal, n\u00e3o verbal, tecnol\u00f3gica \u2013 estamos constantemente envolvidos. Participamos dela o tempo todo, somos consumidos por ela, at\u00e9. Todos presumem que sua comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 bem-sucedida. Que a ideia, a atitude, o significado que tentamos transmitir foram alcan\u00e7ados e que qualquer rea\u00e7\u00e3o adversa da outra parte se deve a uma falha de car\u00e1ter; uma rea\u00e7\u00e3o exagerada \u00e0 nossa adequa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o consigo pensar em um relacionamento que n\u00e3o tenha sido marcado por uma falha de comunica\u00e7\u00e3o. Fam\u00edlia, relacionamentos amorosos, amizades, conhecidos \u2013 um sorriso ou uma risada s\u00e3o, de alguma forma, interpretados como deboche ou deboche. Diferen\u00e7as na percep\u00e7\u00e3o do tom de voz raramente s\u00e3o nossa prioridade. A ideia de que a culpa possa ser nossa n\u00e3o \u00e9 nosso primeiro instinto porque, afinal, entendemos perfeitamente o que queremos dizer.<\/p>\n<p>Consequentemente, devemos abordar a comunica\u00e7\u00e3o intercultural com a mesma vis\u00e3o limitada e ignor\u00e2ncia ing\u00eanua: presumindo que nossa inten\u00e7\u00e3o e nossa forma de express\u00e1-la transmitam adequadamente nossos significados e ideias.<\/p>\n<p>Cada um de n\u00f3s \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de nossas pr\u00f3prias vis\u00f5es de mundo, nossas pr\u00f3prias cren\u00e7as, nossas pr\u00f3prias experi\u00eancias e expectativas, nossas pr\u00f3prias no\u00e7\u00f5es preconcebidas sobre o resultado antes mesmo de qualquer coisa come\u00e7ar. Essas partes de n\u00f3s comp\u00f5em o nosso ser. <i>cultura<\/i>.Uma cultura que influencia cada projeto, ideia e pessoa com quem interagimos. Como podemos esperar que nossa cultura pessoal, desenvolvida ao longo da vida, se encaixe perfeitamente e sem esfor\u00e7o na de outro indiv\u00edduo de um pa\u00eds diferente, com hist\u00f3rias, tradi\u00e7\u00f5es, experi\u00eancias e perspectivas distintas? Na verdade, n\u00e3o podemos.<\/p>\n<p>Como, ent\u00e3o, poderemos criar uma din\u00e2mica que n\u00e3o seja definida por julgamentos precipitados e falhas de comunica\u00e7\u00e3o? Como podemos esperar realizar algo plenamente quando trabalhamos fora do nosso c\u00edrculo cultural?<\/p>\n<p>Acredito que a resposta come\u00e7a por olharmos para n\u00f3s mesmos. Precisamos entender que a pessoa que existe dentro de n\u00f3s, nossas ideias e cren\u00e7as, n\u00e3o s\u00e3o simplesmente as melhores e mais l\u00f3gicas, emocionalmente equilibradas ou corretas perspectivas e conclus\u00f5es, mas sim uma compila\u00e7\u00e3o de nossa origem, das pessoas com quem interagimos, das influ\u00eancias que nos cercaram e dos resultados que passamos a esperar, al\u00e9m de in\u00fameros outros fatores.<\/p>\n<p><i>Essa n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil.<\/i>.Ser\u00e1 poss\u00edvel atingir um n\u00edvel de autoconsci\u00eancia que nos permita compreender os in\u00fameros fatores por tr\u00e1s de cada decis\u00e3o que tomamos ou pensamento que temos? Provavelmente n\u00e3o. O objetivo n\u00e3o pode ser a compreens\u00e3o completa da nossa pr\u00f3pria cultura e das suas origens antes mesmo de come\u00e7armos a interagir com os outros. Isso resultaria em completo distanciamento entre n\u00f3s e, francamente, em muita reflex\u00e3o excessiva. O objetivo deve ser reformular a nossa ideia de cultura. Criar uma vis\u00e3o de mundo onde a cultura seja vista n\u00e3o como uma forma de identificar e classificar as nossas diferen\u00e7as, mas como um meio e uma oportunidade para compreender e aprender uns com os outros.<\/p>\n<p>A introspec\u00e7\u00e3o e o processo de autoconhecimento podem ser intimidantes, especialmente quando a ideia de cultura pessoal \u00e9 nova para voc\u00ea. Um primeiro passo igualmente importante pode ser recorrer a algu\u00e9m que tenha estudado esse conceito e iniciado o processo de compreens\u00e3o dessa ideia em constante expans\u00e3o sobre a cultura como forma de entendimento m\u00fatuo. Empresas em todo o mundo t\u00eam reconhecido a import\u00e2ncia do treinamento intercultural. N\u00e3o s\u00e3o apenas as grandes cidades com atua\u00e7\u00e3o internacional que buscam maneiras de superar as diferen\u00e7as. Empresas que desejam expandir seu alcance, funcion\u00e1rios trabalhando remotamente e at\u00e9 mesmo viagens de neg\u00f3cios internacionais de curta dura\u00e7\u00e3o devem se esfor\u00e7ar para moldar sua perspectiva em torno da ideia de que a flu\u00eancia global pode ser o diferencial entre o sucesso e o fracasso. \u00c9 um al\u00edvio saber que nossas pr\u00f3prias percep\u00e7\u00f5es e observa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o a \u00fanica fonte para essa mudan\u00e7a t\u00e3o necess\u00e1ria na vis\u00e3o de mundo.<\/p>\n<p>Quando optamos por interagir com pessoas e na\u00e7\u00f5es diferentes das nossas, quando escolhemos adentrar outra cultura e toda a sua complexidade, n\u00e3o podemos faz\u00ea-lo vestindo apenas as vestes da nossa pr\u00f3pria cultura. N\u00e3o \u00e9 responsabilidade exclusiva dos outros nos compreender e se preparar para cada tipo de pessoa que cruza suas portas. A responsabilidade tamb\u00e9m \u00e9 nossa \u2013 \u00e9 uma parceria, na verdade. Cada pessoa \u00e9 respons\u00e1vel por si mesma: uma forma\u00e7\u00e3o de mentes em escala global. Uma vez que compreendemos a import\u00e2ncia dessa ideia, devemos aprender a controlar nossas pr\u00f3prias expectativas. Devemos estar cientes dos h\u00e1bitos e expectativas culturais que trazemos conosco para uma conversa e aprender a enxerg\u00e1-los como tal. <i>nosso<\/i> h\u00e1bitos e expectativas culturais. Devemos estar cientes de que eles est\u00e3o nos ouvindo e nos vendo atrav\u00e9s dos olhos de<i> deles<\/i> cultura \u2013 e n\u00e3o devemos culp\u00e1-los ativamente por isso. Eles n\u00e3o est\u00e3o errados. N\u00f3s n\u00e3o estamos errados. Simplesmente viemos de mundos diferentes. Aprender a enxergar a beleza nisso e as oportunidades que isso nos oferece para crescermos como indiv\u00edduos e nos tornarmos algo que n\u00e3o poder\u00edamos ser sozinhos \u2013 esse deve ser o objetivo.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":62,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_mo_disable_npp":"","wds_primary_category":0,"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-88611","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-by-sarah-reinhardt"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/upstateinternational.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88611","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/upstateinternational.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/upstateinternational.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/upstateinternational.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/62"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/upstateinternational.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88611"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/upstateinternational.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88611\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/upstateinternational.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88611"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/upstateinternational.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=88611"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/upstateinternational.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88611"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}